
Para a estreia da nossa rubrica Kriola´s a nossa convidada é a Kriola Jamira Helena Silva Dias, natural de Santo Antão, assistente administrativo na empresa Isone. A nossa Kriola se define como uma mulher determinada, independente, e muito teimosa.
O momento que mais a marcou, e que o carrega para o resto da sua vida, foi o dia 25 de Novembro de 1995, dia em que sofreu um acidente por atropelamento. Por esta altura Jamira tinha completado os 10 anos. Foi onde tudo começou, o momento pela qual a sua vida transformou-se completamente. A partir deste momento, ela teve que se mudar para Portugal, até o fim de 2010, quando regressou a São Vicente.
Em Setembro de 2011, decide tentar uma vida nova na ilha de Santiago, com o objectivo de dar continuidade aos estudos e quiçá trabalhar. Sem saber o que lhe esperava, Jamira ao chegar na cidade da Praia conheceu uma integrante dos Mon Na Roda, que é um grupo constituído por pessoas com e sem deficiência.
Ela nos explica que foi convidada a assistir a um ensaio nas instalações do grupo, e ao chegar no local, estranhou a presença de muitas pessoas com deficiência a dançar. O seu lado preconceituoso falava mais alto, mas o facto de estar junto deles todos os dias, fez-lhe um bem , que não sabe explicar.
Mais tarde, após frequente convivência com o grupo Mon Na Roda, chegou o momento de Jamira dizer o sim ao grupo. Ao assistir pela primeira vez um espectáculo de dança do grupo ela decidiu não ficar de fora, o sentimento foi que se ela não entrasse no grupo a sua vida não teria sentido.
Ela aceitou entrar no grupo, porém a pior parte seria o momento de ensaiar sem as próteses. Só aceitou em tirar a prótese com o seu par, pois identificou-se muito com ele, e também por lhe ter transmitido muita confiança. Ensaiavam por várias semanas a porta fechada, porque o seu preconceito com a sua deficiência era enorme. O seu par Flávio foi a peça chave para ultrapassar esses obstáculos. Hoje Jamira sente que ultrapassou todos esses preconceitos e sente-se mais leve e livre.
Mon Na Roda fez-lhe uma pessoa melhor, hoje sente-se que é capaz de tudo, e o grupo mostrou-lhe que ela deve aceitar-se do jeito que ela é e deixar de se importar com visão dos outros sobre si.
Jamira, explica que a nossa sociedade é um pouco preconceituosa, e que quando esta com os amigos do grupo a passear ou até mesmo indo ás compras sempre recebem olhares de piedade ou até mesmo alguns comentários desagradáveis.
"Costumo dizer, que a minha coragem é maior que o meu medo." Jamira Dias



